A maior parte
dos 'feminicídios' ocorre por crime passional, aquele cometido devido a
algum sentimento mal resolvido, muito comum nas relações conturbadas
entre casais que se divorciam e um dos pares não aceita a separação.
A
pessoa que mata alega que o fez por amor, por não se sentir amada ou
pensar que nunca mais vai encontrar outra pessoa para começar um novo
relacionamento. Na verdade, há sentimentos de posse ou ciúmes.
Segundo
dados do Centro da Mulher 8 de Março, em João Pessoa, só na Paraíba,
foram registrados 76 casos de janeiro de 2012 a agosto de 2013, sendo 50
no ano passado, e 26 este ano. Pelos dados do ano anterior, em média,
quatro mulheres morrem por essa causa, mensalmente. Na Justiça
brasileira, o crime passional é tratado como qualquer outro, sem
atenuações.
A
advogada Luiza Nagib Eluf, autora de livros que tratam dessa modalidade
de crime, como ‘A paixão no banco dos réus’, defende a lei Maria da
Penha, apesar da pouca contribuição para diminuir os homicídios, mas
explica que ela “precisa ser melhor compreendida pelo próprio judiciário
que, por vezes, resiste em aplicá-la com o rigor necessário”.
Parceiro culpa mulher, ela procura ajuda, mas nem sempre é suficiente
Luiza
Nagib fala que “é muito comum que os homicidas culpem a vítima pela
conduta criminosa. O principal motivo é se desculparem perante a justiça
e a opinião pública. Os passionais, nesse ponto, dizem absurdos porque
em suas justificativas (infundadas, claro) eles destroem a reputação da
mulher, atribuem-lhe infidelidade nem sempre comprovada e procuram se
redimir de qualquer culpa com o pretexto da inferioridade sexual da
mulher, ou seja, ela não pode "trair" o marido, sob pena de morte”.
A
advogada reforça que a mulher tem como se defender e evitar a morte, ao
perceber o comportamento agressivo do parceiro. Ela fala que “todo
homem violento dá indícios da periculosidade. É preciso estar atenta e
não confundir ciúme com amor. Um pouco de ciúme pode ser considerado
normal, mas quando o indivíduo tem ideia fixa, passa a ser perigoso.
Ciúme demais leva à tragédia. Não podemos incentivar esse sentimento nem
em nós mesmos nem nos outros. A mulher que se sente em perigo deve
terminar a relação e pedir proteção nas delegacias de defesa”.
Apesar
da orientação de especialistas e autoridades para que as vítimas peçam
ajuda à polícia, ainda há casos chocantes de pessoas que registraram
boletins de ocorrência e tiveram a garantia de serem protegidas pela lei
Maria da Penha, mas acabaram mortas pelos inconformados.
No
Brasil, um dos exemplos de destaque é o caso do dia 29 de janeiro de
2010, quando um borracheiro disparou sete vezes contra a ex-companheira,
que já havia feito oito queixas na delegacia, mas acabou morrendo no
salão de beleza onde trabalhava, em Belo Horizonte/MG. O acusado foi
condenado a quinze anos de prisão em regime fechado.
Entre
os crimes passionais de maior repercussão na Paraíba está o da
professora Briggida Rosely de Azevedo Lourenço, 28 anos, que foi
encontrada morta na tarde do dia 19 de junho de 2012, num apartamento
dos Bancários, Zona Sul de João Pessoa. Na época, a família da
professora informou à polícia que o fotógrafo Gilberto Stucker estava
separado dela há um mês, mas não aceitava o fim do relacionamento. Nove
meses depois do crime, ele se entregou à polícia e está preso.
Delegacias
Na Paraíba, há delegacias especializadas em casos da mulher, em todas as regiões do estado. Veja os endereços a seguir.
Litoral
Na
Capital, a Delegacia da Mulher da Grande João Pessoa funciona 24 horas
na Avenida Pedro II, nº 853, Centro, telefone (83) 3218-5317. Em
Cabedelo, na Rua Ernesto Vital, 34, Monte Castelo, telefone (83)
3228-3707. Em Bayeux, na Rua Engenheiro de Carvalho, Centro, telefone
(83) 3232-3339. Em Santa Rita, no Loteamento Jardim Mauritânia, S/N,
telefone (83) 3289-8738.
Interior
Delegacia da Mulher de Campina Grande, na Rua Raimundo Nonato de Araújo, S/N, Catolé, telefone (83) 3310-9300/9303.
Em Guarabira, Delegacia da Mulher na Rua Manoel Francisco do Nascimento, nº 157, Nordeste II, telefone (83) 3271-2986.
No
Sertão, em Patos, na Rua Bossuet Wanderley, nº 337, Centro, telefone,
(83) 3423-2237; em Cajazeiras, na Rua Romualdo Rolim, nº 636, Centro,
telefone (83) 3531-7022; e em Sousa, na Rua Sardyr Fernandes de Aragão,
S/N, Gato Preto, telefone (83) 3531-2948.
Delegacias móveis vão atender mulheres do campo vítimas de violência
A
Rede Estadual de Atenção as Mulheres Vítimas de Violência discutiu no
Ministério Público, em João Pessoa, a forma de funcionamento de
delegacias móveis que começam a operar em novembro de 2013 em locais da
zona rural da Paraíba. O objetivo é atender mulheres trabalhadoras do
campo, que são vítimas de casos de violência em lugares distantes do
centros urbanos.
Foi
traçado um planejamento de participação de delegados, promotores,
juízes, psicólogos e assistentes sociais no atendimento nessas áreas do
estado. A secretária da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares,
afirma que a Secretaria de Segurança, o Ministério Público e Tribunal
de Justiça são parceiros e vão designar profissionais para o atendimento
móvel.
As
unidades que vão circular pelas áreas rurais da Paraíba foram entregues
pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da
República (SPM-PR), como parte do programa “Mulher, Viver sem
Violência”.
A
discussão no MP tratou ainda sobre os procedimentos necessários para
garantir agilidade na emissão dos laudos de mulheres vítimas de
violência atendidas pela rede de saúde. Foi discutida a participação dos
conselheiros tutelares no acompanhamento a crianças e adolescentes
filhos de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Pesquisa do Ipea revela pouca eficácia da Lei Maria da Penha
A
Lei Maria da Penha, que vigora no Brasil desde 2006, não foi suficiente
para reduzir de maneira mais significativa o número de mulheres mortas
por violência. O estudo 'Violência contra a mulher: feminicídios no
Brasil', divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada na
quarta-feira (25), na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara,
revela que houve apenas uma diminuição muito pequena a partir de 2007,
mas as taxas voltaram a subir. Conforme dados do instituto, entre 2001 e
2006, antes da criação da lei, foram mortas, em média, 5,28 mulheres a
cada 100 mil. Depois, entre 2007 e 2011, em média 5,22 mulheres morreram
de forma violenta, a cada 100 mil.
A
Paraíba ocupa o oitavo lugar no ranking de estados brasileiros com o
maior número de mulheres assassinadas, com um índice de 6,99, maior que a
média nacional. O Espírito Santo lidera a lista, com taxa de 11,24,
enquanto o Piauí aparece em último lugar, com índice em 2,71.
Apesar
dos resultados serem preocupantes, a Secretaria de Estado da Defesa
Social (Seds) lembra que há uma redução nos casos de mulheres
assassinadas, nos últimos dois anos. Entre janeiro e agosto de 2013,
houve diminuição de 15%, quando se compara com o mesmo período do ano
anterior. Em 2011, o número de mulheres mortas por violência foi 146; em
2012 foram 101 e este ano desceu para 86, sempre de janeiro a agosto.
com portalcorreio






0 comentários:
Postar um comentário
O Portal Paulista Online informa que as pessoas e assuntos abordados aqui sempre serão com a mais transparência e caráter critico. Nunca denecrino a imagem de niquem.
Opiniões expostas neste espaço, não necessariamente condizem com a opinião do nosso site pois não se resposabilizamos por comentarios feitos pelos internaltas.
OBS: Aqui não plagiamos noticias pois todas tem permição de parceiros e principalmete indicamos sempre a fonte. Fico grato deis de já pela compreensão.
Atenciosamente:
Portal Paulista Online