O atendimento
hospitalar prestado à população da Paraíba não é satisfatório. Esta é a
conclusão do Tribunal de Contas da União (TCU), após realizar inspeções
em quatro hospitais de urgência e emergência instalados em João Pessoa,
Campina Grande e Patos.
As
instituições apresentaram superlotação, demora na realização de
cirurgias eletivas e de exames ambulatoriais e, em três delas, ainda
foram encontrados problemas de estrutura, como paredes com reboco
caindo, infiltrações e falta de azulejos em banheiros e enfermarias.
Das
quatro unidades de saúde, três são mantidas pelo governo do Estado e
uma é administrada pela Prefeitura de João Pessoa. O relatório faz parte
de um processo aberto pelo TCU para analisar a qualidade do atendimento
à saúde feito com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em
João Pessoa, os estabelecimentos visitados foram o Complexo Hospitalar
de Mangabeira Governador Tarcísio Burity (Trauminha de Mangabeira) e o
Hospital Edson Ramalho. Em Campina Grande, a inspeção ocorreu no
Hospital Regional Dom Luiz Gonzaga Fernandes. Já em Patos, o alvo foi o
Hospital Regional Deputado Janduy Carneiro.
As
inspeções ocorreram entre os dias 1º de agosto a 30 de setembro deste
ano. A finalidade foi conhecer a organização e o funcionamento dos
estabelecimentos que possuem mais de 50 leitos, cada. Nos quatro foi
constatada superlotação nos setores de emergência e urgência, com uso
quase constante de leitos extras e até com dificuldade de transitar
entre os leitos.
Ainda
foi verificado que os pacientes enfrentavam dificuldade para encontrar
vagas de internação e demora para realizar consultas ambulatoriais e
exames. Quem precisava se submeter a uma ressonância magnética, por
exemplo, era obrigado a esperar por até 300 dias para ter acesso ao
procedimento.
Outro
problema encontrado foram as longas filas para as cirurgias eletivas.
Só no Complexo Hospitalar de Mangabeira Governador Tarcísio Burity
existiam 1.400 pessoas aguardando a hora de fazer operações ortopédicas.
Os técnicos do TCU ainda encontraram pacientes internados sem previsão
de fazer a cirurgia, por falta de vagas nas unidades de tratamento
pós-operatório.
Ainda
de acordo com o relatório, os técnicos descobriram que alguns médicos
não cumprem integralmente o horário de trabalho. Em um hospital
visitado, metade dos profissionais desobedecem a carga horária
estabelecida. No momento da visita, em um dos hospitais, as equipes do
TCU flagraram a ausência de três médicos que estavam com os nomes na
escala de trabalho. Já em outra situação, não foi encontrado nenhum
médico no ambulatório.
Pacientes
Muitos
pacientes encontrados nos hospitais residiam em outros municípios e até
em outros Estados. Alguns relataram aos técnicos do TCU que foram
levados a mais de um hospital, antes de encontrar vaga.
Ainda
segundo o relatório, a Paraíba possui a quantidade de 2,4 leitos de
internação custeados pelo SUS para cada grupo de mil habitantes. A
proporção está abaixo da preconizada pelo governo federal, já que o
Ministério da Saúde recomenda que a existência de 2,5 a 3 leitos a cada
mil de habitantes.
Para
o TCU, as dificuldades na Saúde são consequência da falta de regulação
no serviço. O órgão adverte que a superlotação, por exemplo, prejudica a
qualidade no atendimento e aumenta os riscos de infecção hospitalar.
Além da regulação, outros culpados pelos problemas são a defasagem dos
valores pagos pelo SUS, que reduz o interesse de clínicas privadas em
oferecer os serviços; e o descumprimento da jornada de trabalho por
parte de médicos.
O
relatório sugeriu a implantação do sistema de regulação no governo do
Estado, para facilitar o acesso de pacientes aos serviços de emergência e
urgência e que ainda fosse melhorado o funcionamento do Programa de
Saúde da Família (PSF).
Outras
medidas que podem melhorar a qualidade da saúde é reajustar os valores
pagos pelo SUS e cobrar que médicos cumpram integralmente o horário de
trabalho.
com Jornal da Paraíba






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